O que é o Forró Roots
O Forró Roots é um estilo de dança de forró relativamente recente e em crescimento entre forrozeiros no Brasil e no mundo. Diferente do Forró Universitário — que se consolidou nos anos 1990 e 2000 com giros em posição aberta, figuras de braço e influências de salsa e samba-rock —, o Roots privilegia o abraço fechado, o trabalho de pernas, a escuta fina da música e a conexão com o par. Não é um gênero musical à parte: é uma forma de dançar o mesmo repertório de forró pé-de-serra, com outra linguagem corporal.
O nome "Roots" está ligado às raízes musicais do forró — festas e eventos que, a partir da década de 2010, priorizaram músicas mais tradicionais, de andamento médio, com estética mais próxima do trio sanfona/zabumba/triângulo. Mas o termo também remete à dança dos nativos de Itaúnas (ES), vila considerada a meca do forró pé-de-serra no Brasil, onde um modo próprio de dançar surgiu organicamente ao longo de gerações.
Origem: de Itaúnas às salas de aula
A história do Forró Roots começa em Itaúnas, vila no extremo norte do Espírito Santo, município de Conceição da Barra. Em 1988, Paulo Matos fundou o Bar Forró — o primeiro espaço dedicado ao ritmo na região — e, com a descoberta do sanfoneiro Luiz Geraldino, a moda do forró pé-de-serra começou a atrair turistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória e, mais tarde, do mundo inteiro.
Os moradores da vila desenvolveram um jeito único de dançar: abraço próximo, jogo de pernas, pouca amplitude, muita escuta, forte conexão com o par. Sem método, sem progressão didática, sem vocabulário técnico — uma dança aprendida por imersão, no baile, pela observação e pelo contato. Esse modo ficou conhecido como "estilo Itaúnas".
Em 2001, nasceu o Festival Nacional de Forró de Itaúnas (FENFIT) — hoje considerado o maior festival de forró pé-de-serra do mundo, com oito dias de imersão, concurso de bandas e trios, e programação 100% acústica. O evento revelou e consolidou nomes como Falamansa, Rastapé, Trio Virgulino, Marinês, Dominguinhos e Mestre Zinho. Foi nesse ambiente — moradores e visitantes dançando juntos — que professores vindos de outras cenas, com formação em danças de salão, se fascinaram com a dança local e quiseram levá-la para as salas de aula.
Para ensinar, precisaram traduzir: nomear movimentos, criar progressões didáticas, construir vocabulário técnico. Essa tradução dialogou com práticas de outras danças de salão — especialmente samba de gafieira e tango —, integradas à musicalidade e ao abraço do forró pé-de-serra. O rótulo "Forró Roots" se consolidou mais recentemente, depois de um período em que muitos ainda falavam em "estilo Itaúnas" ou em práticas sem nome consensual.
Paralelamente, em São Paulo e Campinas, nos anos 2000, já existiam dançarinos explorando caminhos semelhantes. No Remelexo, casa de forró na Rua Paes Leme, em Pinheiros, o professor Evandro Paz desenvolvia o que chamava de "Forró Balada" ou "Forró Urbano" — menos giros abertos, mais caminhadas e pequenos chutes. Na época, costumava-se chamar esse estilo de "Paulistinha". Embora diferente do Roots contemporâneo, já indicava uma alternativa ao padrão pé-de-serra tradicional ou universitário.
O Rootstock Forró Festival, em Belo Horizonte — com quase duas décadas de história — também entrou na memória da cena como espaço importante para a evolução do movimento, ao reunir forrozeiros de todo o país em torno de música tradicional, workshops e dança.
Linha do tempo do Forró Roots
- 1988 — Paulo Matos funda o Bar Forró em Itaúnas (ES), iniciando o movimento cultural que transformaria a vila na meca do forró pé-de-serra.
- 2001 — Primeira edição do FENFIT (Festival Nacional de Forró de Itaúnas), consolidando Itaúnas como capital do forró pé-de-serra no Brasil.
- Final dos anos 2000 — Em Campinas e São Paulo, dançarinos no Remelexo e em bailes locais exploram o estilo "Paulistinha", com Evandro Paz como referência.
- 2008 — Daniel Marinho conhece o forró do estilo Itaúnas e começa a desenvolver didática própria para o que viria a ser chamado de Forró Roots.
- Década de 2010 — O estilo ganha visibilidade em festas e eventos que priorizam músicas tradicionais; o termo "Forró Roots" passa a circular na cena.
- 2016 — Daniel Marinho inicia carreira internacional, levando o Forró Roots para mais de 20 países.
- 2021 — O IPHAN reconhece as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, reforçando o contexto cultural em que o Roots se insere.
- Hoje — O Forró Roots é ensinado em escolas de forró e dança de salão em todo o Brasil e no exterior, com festivais dedicados em cidades como Praga, Toronto, Nova York e Nice.
Figuras centrais do movimento
É difícil atribuir a criação de um estilo de dança social a uma única pessoa — a dança social se desenvolve através de relações entre pessoas, bailes, festivais e comunidades. Ainda assim, alguns nomes se destacam:
- Daniel Marinho — Começou danças de salão aos 8 anos e, durante 16 anos, estudou bolero, samba, salsa, tango, zouk, merengue, cha-cha-chá e forró. Em 2008, conheceu o estilo Itaúnas e desenvolveu didática própria para o Forró Roots. Sua dança é descrita como fluida, contínua e com forte desenvolvimento de movimentos em posição fechada. Ministra workshops no Brasil e no exterior desde 2016.
- Vanessa Japa — Dançarina e professora associada ao universo do Forró Roots, frequentemente em parceria com Daniel Marinho em workshops e eventos da cena nacional e internacional.
- Márcio "Juruna" — Referência do estilo Itaúnas em sua forma mais próxima dos nativos: abordagem rítmica, groovada e ligada à energia social dos bailes de Itaúnas. Alguns o diferenciam do Roots contemporâneo, chamando seu estilo simplesmente de "Estilo Itaúnas".
- Evandro Paz — Professor do Remelexo em São Paulo, precursor com o "Forró Balada" / "Forró Urbano" nos anos 2000.
Outros dançarinos que transitam bem entre Roots, Universitário e pé-de-serra incluem Milena Morais, Mardio Costa, Ícaro Abreu, Pamela Barrón, Victinho Maia e Camila Alves.
Características da dança
O Forró Roots apresenta diferenças claras em relação ao pé-de-serra tradicional e ao universitário, especialmente no vocabulário de movimento e na linguagem corporal. O pé-de-serra tradicional costuma ser associado à marcação lateral em casal fechado — o famoso "dois pra cá, dois pra lá". O Universitário incorporou giros em posição aberta, influenciado por salsa e samba-rock. O Roots tende a favorecer movimentos em posição fechada, com maior corporalidade e figuras que podem lembrar o samba de gafieira ou o tango — não por descendência direta, mas por similaridades na dinâmica corporal.
Entre os elementos mais característicos do repertório de passos do Forró Roots estão:
- Abraço fechado — proximidade e contato corporal como base da dança, com ângulo ajustável conforme o movimento.
- Caminhadas — deslocamentos em posição fechada, incluindo caminhadas interrompidas e para trás com trocadilho.
- Sacadas de perna — movimentos de perna que criam espaço e resposta rítmica entre o par.
- Footworks — variações rítmicas nos pés, com uso de contratempos e ornamentos.
- Giro invertido (Giro Paulista) — giro que foi comum em São Paulo nos anos 2000, perdeu espaço com os giros de 5 tempos e voltou a ganhar destaque com o Roots.
- Elástico com trava — trabalho de compressão, contrapeso e troca de peso entre os parceiros.
- Basquete com push and pull — movimento de giro com trava, explorando conexão e condução.
Na musicalidade, dançarinos de Roots tendem a preferir músicas de andamento médio, com ritmo forte e estética tradicional — xotes muito lentos e forrós ultrarrápidos costumam ser evitados. DJs de vinil são frequentes nesses contextos. Quanto mais o dançarino conhece o repertório, mais recursos tem para responder à música com precisão.
Forró Roots x Universitário x Pé-de-serra
As fronteiras entre esses estilos nem sempre são totalmente definidas, e na prática do baile é comum ver dançarinos incorporando elementos de diferentes abordagens. Ainda assim, cada estilo organiza movimentos, dinâmica e relação corporal de forma distinta:
- Pé-de-serra — abraço fechado, pisada, escuta da zabumba, economia de enfeite, presença. Dança que começa no chão.
- Universitário — giros, figuras, movimentos de braço, fluência. Dança mais visual, com influências de lambada, samba-rock e salsa.
- Roots — chão, escuta fina, variação rítmica, conexão com o par, trabalho de pernas. Dança em que o conhecimento do repertório amplia a resposta musical.
O Forró Universitário é conhecido por ser acessível: com poucos passos básicos, iniciantes já participam de bailes. O Roots costuma exigir maior controle técnico e precisão corporal, tornando-o menos acessível para quem está começando — embora o Universitário também possa se tornar complexo em níveis avançados. A principal diferença está no ponto de entrada.
Por que o nome "Roots"
O nome remete às raízes musicais do forró — a preferência por repertório tradicional, gravado em vinil, de andamento médio — e à dança dos nativos de Itaúnas, que muitos consideram a matriz estética do estilo. Não é nostalgia pura nem tentativa de "voltar ao original": é uma releitura contemporânea que traduz, em linguagem pedagógica, um modo de dançar formado organicamente em bailes de vila e dialogado com outras danças de salão.
Existe debate na cena sobre nomenclatura: alguns ligados à cultura tradicional de Itaúnas argumentam que o Roots ensinado nas escolas difere do estilo dançado pelos nativos — com "malabarismos" acrescentados na tradução didática. Outros enxergam o desenvolvimento do Roots contemporâneo como influência legítima da estética, musicalidade e dinâmica social de Itaúnas, através de transformação gradual — não de simples reprodução.
O legado hoje
O Forró Roots não surgiu isolado de outras formas de dançar forró. Ele se desenvolveu em bailes, festivais e comunidades onde diferentes abordagens já conviviam no mesmo salão — Universitário, estilo Itaúnas, variações regionais e maneiras mais tradicionais. Hoje é comum ver dançarinos híbridos, incorporando elementos de diferentes abordagens e criando formas próprias de dançar.
O estilo "Itaúnas" se tornou referência obrigatória em mais de 100 festivais de forró ao redor do mundo. Itaúnas segue como centro de resistência cultural do forró pé-de-serra, com o FENFIT atraindo visitantes de todo o Brasil e do exterior. O Forró Roots, por sua vez, expandiu-se para escolas, workshops e festivais internacionais — consolidando-se como uma das portas de entrada para quem busca uma dança de forró mais técnica, musical e conectada às raízes do gênero.
Top 10 Professores
Pam e Victinho
Pamela Barrón iniciou sua trajetória na dança ainda na infância quando fez ballet, sapateado, jazz e dança contemporânea. Em 2017 começou os estudos das danças a dois e se profissionalizou no forró universitário e roots e no samba de gafieira. Victor Maia é professor, produto...
Brasília - DF
Categorias:
- Forró Roots
Fabrinne
Fabrinne começou a dançar na infância. Em 2014, entrou para a escola de dança Pé Descalço, onde começou a ministrar aulas de Forró Universitário em 2018. Em 2022, conquistou o colar vermelho, o último nível da Pé Descalço, local onde atua hoje como professora e examinadora. Em...
Santa Helena, Juiz de Fora - MG
Categorias:
- Samba de Gafieira Tradicional
- Zouk Tradicional
- Forró Roots
- Forró Universitário
Alex Alvim
Glória, Contagem - MG
Categorias:
- Forró Universitário
- Forró Roots
Anna Carolina Ribeiro
Natural de Niterói/RJ, Anna Carolina Ribeiro descobriu sua paixão pela dança ainda na infância, iniciando sua trajetória no ballet, jazz e dança contemporânea. Em 2012, aos 13 anos, deu seus primeiros passos na dança de salão e, com apenas 14 anos, começou sua carreira como pr...
Niterói - RJ
Categorias:
- Forró Universitário
- Forró Roots
Thales Moura
Professor formado pelo Pé Descalço desde 2019, atuando na unidade de Venda Nova!
Nova Vista, Belo Horizonte - MG
Categorias:
- Forró Universitário
- Forró Roots
João Marcos R L Fagundes
Natural de Belo Horizonte, João Marcos é professor de forró desde 2014 e dedica sua vida a compartilhar a paixão pela dança e pela cultura nordestina. Com uma trajetória marcada por muito estudo, dedicação e amor pela arte, já foi proprietário de uma franquia da escola Pé Desc...
Glória, Belo Horizonte - MG
Categorias:
- Forró Roots
- Forró Universitário
Thales Moura
Professor de Forró a 5 anos e tenho 8 anos de dança.
Nova Vista, Belo Horizonte - MG
Categorias:
- Forró Universitário
- Forró Roots
Lorena Marques
Castelo, Belo Horizonte - MG
Categorias:
- Forró Roots
- Forró Universitário
Lucas Lochte
Professor de forró especializado no forró universitário. Ministro aulas na escola pé descalço nas unidades da Savassi, Cidade Nova e Barreiro.
Categorias:
- Forró Roots
- Forró Universitário
Eduardo Santana dos Santos
Vila Guarani (Z Sul), São Paulo - SP
Categorias:
- Forró Roots
- Forró Universitário